Psicopata Americano (2000): Misógino, Racista, Homofóbico e Atual


Psicopata Americano (2000) é um clássico tão presente no cinema de horror que é quase aquele filme que você acredita já ter visto mesmo sem ter tido a experiência. No meu caso, assisti a obra de Mary Harron para fazer essa resenha e achando que eu já tinha visto tudo o que podia sobre o filme, fui completamente surpreendida pela morbidez e excentricidade de Patrick Bateman (Christian Bale).



Centrado apenas nas aparências, Patrick é um homem médio branco e rico, que mantém uma rotina de cuidados tão intensa que parece até algo que as esposas eram obrigadas a fazer nos anos 1950. Absolutamente todos os aspectos da vida de Patrick giram em torno de sua carcaça externa e seu ego sensível, desde um cartão de visita até o sexo.


É exatamente o ataque ao ego do protagonista que o faz achar que conviver com quem o feriu seja tão inviável que é preciso apelar para o assassinato. E a futilidade do seu círculo social fica ainda mais instigante ao pensar nas cenas em que Patrick revela que quer matar alguém ou dar uma machadada na sua cabeça e todos encaram como uma brincadeira, afinal, como pode um homem tão dentro das normas ser capaz de tal ato de atrocidade?



A objetificação feminina aliada a enorme misoginia do personagem é extremamente incômoda, mas eu poderia trocar o título do filme para “Homem Médio Americano” com facilidade. O foco do longa é criticar esse estilo de vida de cidadãos de bem - obcecados pelo Trump e outros psicopatas - cujos princípios de moral e bom costume fazem parte de suas rotinas com total esvaziamento de sentido.


A relação com a música também é bastante explorada no filme e revela ainda mais o prazer que Bateman sente ao se livrar do objeto que fere seu ego, além de ser interessante e cômico pensar que ele só fala sobre música para mostrar para suas vítimas que ele sabe mais do que elas e é mais “culto”.



O universo de Patrick é tão assustadoramente fútil que chega a ser cômico. Como tudo é sobre ele mesmo, até as prostitutas que contrata são chamadas por nomes que ele escolhe, e dentro desse aspecto é relevante pontuar que Harron foi precisa quando decidiu não fazer cenas de sexo explícito e inclusive satiriza o personagem que faz caras e bocas para si mesmo no espelho durante o ato sexual.


O desfecho e o monólogo final permitem muitas discussões: será que Bateman teve apenas um surto e nada daquilo foi real? Será que ele realmente assassinou mais de 30 pessoas? Será que ele já havia entrado naquele apartamento antes? Sem muitas expectativas para concretizar alguma resposta, acredito que podemos chegar a uma única conclusão: Bateman era tão rico e tão adequado às normas e ao que se espera de um jovem branco que trabalha em Wallstreet que na verdade ele nunca seria culpado por quaisquer que fossem seus crimes.



Alguns elementos curiosos que rondam a produção do filme foram fundamentais para que o longa de Harron seja hoje considerado um clássico cult. O roteiro foi escrito pela própria diretora, com parceria de Guinevere Turner, para que não ficasse mainstream demais, como as versões anteriores que foram entregues à diretora. Conseguir com que o roteiro fosse aprovado foi outra dificuldade, já que o livro era bastante violento, e mesmo depois de ter um estúdio, o filme levou ainda dois anos para começar a ser gravado.


Você pode conferir mais informações sobre a carreira da diretora Mary Harron aqui no MNH na próxima segunda-feira (21/09).



Indico ainda alguns podcasts sobre o filme:


RdMCast #233 – “Psicopata Americano”: Patrick Bateman virou presidente?


Esqueletos de Psicopatas Americanos (surto e decadência em ternos Armani)

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