Honeymoon (2015)

H.P.Lovecraft, o famoso escritor de contos de horror cósmico pontua em sua obra “O Horror Sobrenatural na Literatura” que a atmosfera em uma trama de terror/horror é mais importante do que as ações dentro dela. É preciso criar um clima opressor para deixar um marca na mente do leitor e que não passará em uma segunda leitura. Essa ponderação serve muito para o filme Honeymoon, produção menor que chegou no Brasil em 2015 sem fazer muito alarde.

O jovem casal formado por Bee (Rose Leslie, de Game of Thrones) e Paul (Henry Treadaway, de Penny Dreadful) resolve passar sua lua – de – mel na cabana na qual Bee costumava ficas nas férias em sua infância. Tudo parece perfeito, com passeios de barco, tardes junto ao lago, etc. O casal tem sintonia, amor e entusiasmo pela vida que começaram juntos. A diretora Leigh Janiak (que dirigiu a sequência de Jovens Bruxas e recentemente alguns episódios da série Scream) faz um trabalho muito eficaz em nos aproximar do casal, com suas manias e fofuras adquiridas pela intimidade, tudo para que nós entendamos: esse casal se conhece de verdade.

Num de seus passeios o casal visita um restaurante que Bee gostava quando criança e lá ela reencontra um antigo amigo chamado Will, agora dono do lugar. O homem se comporta de forma estranha e até violenta com sua esposa, mas Bee e Paul não se intrometem. Em uma conversa posterior, Bee até defende Will dizendo que ele talvez tivesse razões para fazer o que fez, sendo refutada por Paul.

Na manhã do dia seguinte Paul sai para pescar, no entanto, devido a uma queda de energia ele acorda muito cedo e ao voltar para a cabana, percebe que Bee desapareceu. Ele a encontra no meio da floresta, nua e assustada, parecendo uma sonâmbula. A partir desse ponto o clima de calma e amor se torna um angustiante pesadelo.

Aqui entra mais um ponto positivo para Janiak, ela cria uma atmosfera de loucura, confusão e desespero, que deixa o espectador perdido em teorias, exatamente o que Lovecraft indica. Bee, nos dias que se seguem ao sumiço, começa a se comportar estranho, não parece lembrar de fatos de sua personalidade e vida (como qual é sua cor favorita, comida que não gosta), se distancia de Paul que não entende o que pode estar acontecendo, mas se esforça ao máximo para ajudar Bee. Nesse momento, aquela construção do casal que se conhece construída é importante, a gente sabe junto com Paul que aquela Bee não é mais a mesma, que algo muito ruim aconteceu com ela.

Muitos sites especializados no gênero do terror, disseram que Honeymoon tem um final clichê, outros disseram que é confuso e não explica nada. Discordo totalmente, o final é excelente, talvez não tão surpreendente quanto a trama fez parecer, mas ainda assim, ótimo.

Rose e Henry são ótimos atores e dão o melhor de si em carisma e atuação, fazendo com que nos identifiquemos com eles e torçamos para que tudo dê certo no fim. Honeymoon é um filme discreto e despretensioso, dirigido de forma segura e eficiente em todo seus pontos. Uma ótima escolha para quem procura um filme com um mistério escabroso e atuações mais do que dignas.

Filme: Honeymoon

Direção: Leigh Janiak

Ano de Lançamento: 2015

Elenco: Rose Leslie, Henry Treadaway.

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Resenhas críticas, artigos e dicas de filmes de Horror: tudo isso sob a perspectiva feminista, com o objetivo de debater a importância das mulheres no gênero, tanto atrás quanto em frente às câmeras, exaltando personagens femininas fortes e mulheres realizadoras de Horror no audiovisual.

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